sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Prólogo - Phalanx Socer Hovhannes

1598 Era dos Homens , 51º Dia do Verão
Floresta dos Galhos Tristonhos – Vastidão


Tristes foram os dias em que as bruxas rumaram para seu exílio no norte, conduzidas por homens ferozes através daquela imensidão de árvores antigas. Phalanx estava acampado nas proximidades da Fonte Aeb, onde outrora fora derramado o sangue ancestral, saído do ventre da pequena Lyra Ceran quando as bruxas alí passaram. Era ele também filho dessas feiticeiras, nascido nos trigais de Gibraltan e forjado sob a disciplina dos gigantes do trovão. Mas naquele momento estava entristecido, sortuno, em meio àquelas gigantescas árvores cujos troncos haviam crescido magicamente desde a passagem das herdeiras de Tyra.

Phalanx olhou mais uma vez para os monólitos de pedra, onde sua amada adentrara num portal seguindo para onde luz alguma toca o chão. Um cheiro medonho preenchia os arredores do acampamento, o aroma macabro temido por qualquer mortal dhemoriano. Ele vinha das profundezas, onde os demônios martelavam as almas condenadas tal um ferreiro golpeia o aço de uma l
âmina. Era uma noite de verão e a floresta estava tomada por uma bruma esparsa, o sacerdote empertigado em seu silêncio ainda não havia notado que tudo ao seu redor parecia um túmulo. As cigarras não sussurravam, nem grilos protestavam como era de costume, havia apenas o silêncio. Phalanx, ainda distraído, começou a se vestir, havia decidido levantar acampamento e regressar o mais rápido possível para o norte, para Cerants. Recolheu seus pertences, acendeu uma velha lanterna e rumou pela mesma estrada que chegara. Mas a medida que a madrugada ia avançando e a floresta começava a se tornar mais densa, o sacerdote se convencia que havia algo mais naquela floresta.

A magia das bruxas – por mais temida que o seja – não rivaliza com os intrigantes acontecimentos dentro da Floresta dos Galhos Tristonhos. Certo do caminho que havia tomado, Phalanx seguia viagem, até dar-se conta de que não estava no caminho pelo qual havia chegado. A floresta se movera diante de seus olhos sem que tivesse percebido, levando-o aos horrores que aconteciam naquela noite. O silêncio começava a dar lugar para os ru
ídos de uma batalha selvagem, e o homem de Cerants acabou atraído pelo barulho, na tentativa de se certificar sobre o que acontecia. Havia ouvido passos pesados, como se um exército de gigantes atravessasse a floresta. E viu luzes. E fogo.

Apagou a lanterna e ladeou a trilha na direção das chamas e gritos, em seguida, temendo o que havia a frente, começou a se arrastar entre as raízes recobertas de musgo que beiravam um alagado. Ouviu mais passos, mas desta vez muito próximos. À frente, em chamas, estava uma choupana de madeira construída sob uma pequena ilha de raízes, as chamas refletiam nas águas do pântano que mais tarde descobriu se chamar Pântano dos Lagartos. Muitas outras choupanas como aquelas se espalhavam pelo local, feitas de madeira, ossos, cipós e recobertas de palha. E um a um seus moradores eram arrancados delas e brutalmente assassinados, eram homens-lagarto, a maioria jovens, incapazes de
se defender. As fêmeas tentavam lutar protegendo os ninhos, mas eram rapidamente dilaceradas pelo inimigo que outrora fora um aliado de valor, os trasgos da floresta. Phalanx tentava entender o que acontecia, foi um morticínio covarde, e entre os atacantes estavam criaturas que o sacerdote só ouvira falar em lendas: O Povo-Aranha. As histórias lhe diziam que a raça táurica havia sido banida para norte, muito além das ruínas de othlorandïr, para terras totalmente desconhecidas pelos dhemorianos. Mas agora aquelas criaturas estavam ali, procurando por algo, enquanto os trasgos se deliciavam dilacerando e roubando tudo. Eles permaneceram no pântano até perto do amanhecer, depois foram embora seguindo para o oeste. Só então Phalanx saiu de seu esconderijo e andou pelo local repleto de cadáveres, as moscas já começavam a se aglomerar, atraídas pelo forte cheiro de morte. Mas haviam moscas demais, e o sacerdote sentia-se incomodado. Os cadáveres cujas peles foram arrancadas estavam apodrecendo num ritmo acelerado e Phalanx pensou ser magia da floresta. Logo mais insetos começaram a incomodá-lo fazendo com que ele decidisse abandonar o local.

Então uma mão saiu da pilha de cadáveres e agarrou seu tornozelo.


Assustado ele puxou a perna se apoiou em sua lança para n
ão desequilibrar. Virou e viu uma cena bizarra. Um dos lagartos estava vivo, mas qualquer um que o visse acharia melhor que estivesse morto. A criatura de escamas envelhecidas e aparência frágil parecia estar morta, sua face trazia nódulos de pus, vermes caiam constantemente de ferimentos enquanto inúmeras moscas começaram a envolvê-lo como um manto. O lagarto moribundo olhou para Phalanx e este finalmente descobria sobre a praga da vastidão.


3 comentários:

Desire disse...

Humm.. está faltando algo ai... será que é por que ficou longo demais?

No mais está perfeito!

mim_o_sabio disse...

Bom eu achei alguns errinhos do tipo:
Ele acende uma lanterna e apaga um tocha.
Eu já achei curto. Vi que retirou muitos detalhes para que coubessem em um post. Mas nad que não possa ser complementado em posts futuros.
Demais continua que está muito bom.

Ataualpa S.Pereira disse...

O revisores são vocês carso colegas, muitos destes erros ñem chegam aos meus olhos.

Bem, corrigidos.

É verdade, muita coisa está guardada para posts futuros.